Wii (ou “Os vídeo-games e a inovação na computação – parte 2″)

April 16, 2007

Continuando a falar um pouco sobre vídeo-games e o impacto que eles causam na evolução da computação (meu primeiro post sobre este assunto você encontra aqui) eu vou falar um pouco do Wii, o vídeo-game de sétima geração da Nintendo.

Wii

Olhando por fora, o Wii parece bonito. Mas todos os vídeo-games de sétima geração investiram bastante na sua imagem externa. O melhor mesmo está naquilo que os olhos não vêem (pelo menos em um primeiro momento).

Por um lado tem os processadores do Wii. O processador central é um IBM Broadway, um processador basedo em PowerPC. Como eu disse no primeiro artigo desta série, não é à toa que todos os vídeo-games de sétima geração possuem processadores IBM: eles tiram proveito da robustez das tecnologias desenvolvidas nos últimos anos pela IBM para a família de processadores Power para o mercado de processadores de servidores, que exigem uma alta carga de trabalho. Além disso o Wii vem com um processador gráfico da ATI, o ATI Holywood. Isso por si só coloca este vídeo-game com capacidade de processamento para torná-lo um representante da nova geração de vídeo-games.

É claro que, apesar do aumento do poder de processamento em relaçao ao GameCube, o vídeo-game de sexta geração da Nintendo, este, digamos assim, não é o grande diferencial deste console. Em relação aos outros consoles de sétima geração, o XBox 360 da Microsoft e o PlayStation3 da Sony, o Wii nem é assim tão poderoso em relação à sua capacidade de processamento. Apesar de existirem muito poucas informações oficiais a respeito do IBM Broadway, certamente ele possui uma arquitetura bem mais simples que a dos processadores multi-core presentes no XBox 360 e no PlayStation 3.

O Wii também tem todas aquelas coisas que os vídeo-games de sétima geração trazem: suporte a Wi-fi, Bluetooth, USB, adaptadores para redes locais, leitura de mídias óticas, etc. Além disso, ele também é compatível com os jogos do GameCube e consegue se conectar por rede sem fio com o Nintendo DS, o atual console de mão da Nintendo. Mas tudo isso, apesar de muito legal, também não é o que faz do Wii único.

O grande diferencial do Wii, para mim, é a forma pela qual os usuários interagem com os jogos e outros eventuais programas rodando no console. O nome inicial do projeto do Wii era “Revolution e, apesar da mudança do nome no laçamento do console, a forma de interação com o Wii é realmente revolucionária.

A Nintendo desenvolveu um controle sem fio, o Wii Remote. Até ai nada demais. Só que este controle é dotado da capacidade de perceber a sua posição, a direção em que ele é apontado e a velocidade em que se movimento no espaço, ou seja, ele possui um acelerômetro dentro dele. Desta forma, o Wii permite que o usuário interaja com os programas na tela através do movimento e da direção do controle.

Isto torna possível, por exemplo, que uma pessoa jogando um jogo de tênis para o Wii não fique apenas apertando os botões para que o seu “hominho” no jogo vá de um lado para o outro da tela e aperte um outro botão para “acionar” a raquete do “hominho”. Agora é possível realmente jogar tênis, se posicionando na frente da tela e, com o Wii remote, fazendo o seu “hominho” ir para um lado ou outro da quadra quando você se movimenta com o controle na frente da tela e fazendo com que o “hominho” rebata a bola quando você fizer o movimento certo com sua raquete virtual, representada pelo Wii remote, na frente da tela. Imaginem quantas novas possibilidade não podem se abrir a partir desta forma revolucionária de interação com os computadores?

Além disso, o Wii remote é expansível, o que permite a conexão de outros controles ao controle principal. Por exemplo, existe uma extensão, chamada de Nunchuk, que é parecida com um manche de avião e possui os velhos botões direcionais dos controles de arcade. Ele também possui um acelerômetro e você pode usar um Nunchuk em uma mão e um Wii Remote em outra durante um jogo! Além disso você pode conectar controles de alguns vídeo-games anteriores ao Wii Remote e jogar seus jogos do GameCube com o mesmo controle, ou, em outras palavras, com a mesma interface que você estava acostumado.

Toda esta realidade adicional, obviamente, empolga os jogadores. Não é à toa que a Nintendo está fazendo recall dos Wii Remote para subsitutir a presilha que vem com o controle para segurá-la junto ao punho do jogador: a presilha não foi feita forte o suficiente para suportar a força que está sendo imprimida por alguns jogadores no controle e os Wii Remote estão literalmente voando das mãos em alguns casos!

Esta nova forma de interação está fazendo com que o Wii, anunciado no final do ano passado, perto do lançamento do PlayStation 3, da Sony, esteja sendo mais popular e mais vendido que seu rival em muitos lugares, mesmo sendo o PlayStation 3 o vídeo-game mais aguardado dos últimos anos.

Esta nova forma de interação também pode abrir novos caminhos para a computação e para a forma como interagimos com as máquinas hoje em dia. Pode inspirar muitos sistemas no futuro. Sejam eles jogos ou não.

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posted in Uncategorized by Leonardo Garcia

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    Wii (ou

  • http://log4dev.wordpress.com/ <![CDATA[Miguel Galves]]>

    Eu nao vi o Wii em ação ainda, mas de fato a questão do controle com sensor de movimento e a capacidade de interagir fisicamente com o jogo é muito interessante. Abre as portas pra muitas idéias já mostradas em filmes sobre ambientes computacionais onde você interage num espaço tri dimensional…no momento o exemplo que me vem à cabeça é o Holodeck da nave enterprise, em Star Trek. Estamos longe da sofisticação deste último, mas quem sabe um dia….

  • <![CDATA[Leonardo Garcia]]>

    Bom, falando de ambientes computacionais onde você interage num espaço tridimensional usados em filmes, eu diria que estamos dando os primeiros passos neste assunto ainda, mas para quem acha que estamos muito longe de termos algo viável, temos, além do exemplo do Wii, algumas aplicações já rodando bem parecidas com as interfaces mostradas no filme Minority Report, em que o usuário interage com o computador com o movimento das mãos no espaço.

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