Para que facilitar se podemos complicar?

February 18, 2009

Há quase um ano atrás o Ricardo Capitanio, nosso colaborador esporádico (talvez tanto quanto os autores regulares deste blog ultimamente) , escreveu aqui um post interessante sobre como alguns desenvolvedores de software gostam de complicar coisas que eram simples.

É impressionante como, apesar de isto acontecer recorrentemente, as pessoas ainda insistem em complicar ainda mais as coisas.

Apenas para citar alguns exemplos que eu vivi recentemente (tirando o exemplo do webmail do UOL do meu post anterior), lembro-me sem ter que pensar muito nos inúmeros problemas que tive quando atualizei meu ambiente de desenvolvimento do Fedora 8 para o Fedora 9 e, mais recentemente, do Fedora 9 para o Fedora 10.

Quando sai do Fedora 8 para o Fedora 9 notei que não existia mais suporte ao Xen (aplicativo de virtualização de máquinas). Tudo bem que eles substituiram o Xen pelo KVM, que, dizem, é melhor. Mas, de uma hora para outra, fiquei na mão.

Além disso, em todas as atualizações de Fedora que eu fiz (comecei a usá-lo no Fedora 4) sempre tive sérios problemas com o AIGLX ou seus equivalentes desde que eles são suportados. O AIGLX – ou seus equivalentes – são tecnologias que habilitam desktops com efeitos gráficos 3D: nada que seja realmente muito importante (apesar de algumas funcionalidades providas por este tipo de desktop aumentarem a minha produtividade) mas é algo que sempre causa uma impressão muito boa, especialmente quando estamos fazendo uma apresentação para grupos de pessoas que estão habituadas a usar Windows e não tem muita ideia do que o Linux tem para oferecer no desktop. Bom, o fato é que era comum o AIGLX nunca funcionar corretamente logo que uma nova versão do Fedora era lançada. E quando ele começava a se estabilizar, eu fazia upgrade para uma nova versão de Fedora e lá estava ele todo quebrado novamente. Muitas vezes algumas aplicações gráfica quando rodadas com AIGLX ativado capotavam o ambiente gráfico inteiro! Simplesmente lamentável…

Recentemente, fiz o upgrade para o Fedora 10. Antes que alguns comecem a dizer que eu devia mudar de sistema operacional ou pelo menos escolher uma outra distribuição de Linux é bom dizer que minha insistência no Fedora não é exatamente um gosto pessoal (porém eu até me dou bem com o Fedora apesar dos problemas). É mais uma necessidade do meu trabalho. Bom, no Fedora 10 o suporte a rede sem-fio, que estava simplesmente muito bom no Fedora 9, já não é mais aquelas coisas… As únicas redes nas quais consigo me conectar de maneira estável são as WPA2. Qualquer rede WEP fica instável. E isso funcionava muito bem antes…

Enfim, no meu caso especificamente eu acho que estes inúmeros percalços são resultado de eu estar usando plataformas baseadas em código-aberto. O Fedora é uma distribuição desenvolvida pela comunidade e é fato que os testes não são nem de longe tão rigorosos quanto em uma distribuição Enterprise, direcionada a uso em ambientes de produção. É o custo que eu acabo pagando por usar sempre as versões mais recentes dos aplicativos. Mas, mesmo assim, eu ainda acho que não seria muito difícil fazer um pouco melhor na hora de testar várias destas coisas. Ou até mesmo na hora de se pensar o que vai ser ou não suportado numa próxima versão de um aplicativo ou de um sistema operacional

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posted in Ferramentas, Opinião by Leonardo Garcia

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  • http://robertoalcantara.blogspot.com Roberto Alcantara

    Eu simplesmente desisti do Fedora no 10. Do 9 para 10 foi um parto, parou tudo que funcionava legal ( controle de brilho no teclado, controle de som, compiz).

    Me aguentei um tempo e quando saiu outra atualização com o kernel fui lá, achando que ia voltar tudo. Piorou, parou o tap do touch pad e o som. Do que já tinha dado pau não voltou nada.

    Eu sinceramente não acho que seja um preço justo a se pagar pelo uso de software livre. Se você se propõe a fazer algo, tem que ser bem feito. Se é para ter atualizações todos os dias que sejam atualizações testadas em vários hardwares, nos repositórios “beta”, com voluntários., que rodem testes.

    Agora, parar a minha produtividade porque atualizei o sistema no meio do dia (quase sempre em background), é complicado.

    sds

  • http://log4dev.com/ Thiago

    Cara,

    eu usava Fedora desde a 1a versão. Antes disso usava RedHat, desde sei-lah-quando. Sempre que vinha uma nova versão, eu era dos primeiros a fazer o upgrade. Com o tempo percebi que a versão soh ficava estável mesmo depois de uns meses, então passei a esperar um pouco mais.

    Ao mesmo tempo, quando tava lah pelo Fedora 6 ou 7, eu comecei a manter uma maquina no trabalho e o computador da minha namorada com Ubuntu. Pra fazer upgrade, era automático. Tudo funcionava e os pacotes eram mais granulares. Comecei a achar que o problema era o Fedora.

    Quando fui fazer o upgrade do 9 pro 10, alem de esperar dar uma estabilizada, tentei usar o programinha de fazer upgrade automático, que finalmente tinha sido lançado. Não deu muito certo, deu vários problemas, mas depois de fuçar varias horas eu finalmente consegui fazer funcionar.

    Mas o sistema tava super instável, capotava toda hora. Finalmente disse chega. Eu gostava bastante do Fedora, mas o fato de nem Wireless, nem a minha placa de video funcionarem de cara foi a gota d’água. Instalei o Kubuntu (beta) e ele detectou tudo, tah funcionando q eh uma maravilha, com KDE 4.2 e seus fru-frus, ext4, WICD detectando todas as minhas redes automaticamente, perfeitinho (e eh beta!).

    Eu não entendo como uma distribuição teoricamente tao bem suportada pode ter problemas tao sérios assim. Principalmente porque esses problemas que a gente tah apontando são em drivers e pacotes que o Ubuntu também usa. Sinceramente, não sei como minha placa funciona no Ubuntu direto e não funciona no Fedora… mas o ponto eh que eu realmente não quero saber, eu quero eh que funcione ;-)

  • laggarcia

    Thiago,

    Também acho muito estranho que coisas que não funcionam no Fedora funcionem bem em outras distros. O problema é que as distros em geral colocam muitos patches no kernel e nos drivers (e em todo resto), de forma que, no fundo, tudo é bem diferente.

    Se eu não tivesse um requistio de usar Fedora, provavelmente já teria migrado para outra distro. O Ubuntu talvez seja a distro que melhor está se saindo em desktops/notebooks. Ouço falar bem do OpenSuse também. A única coisa que me incomodou no Ubuntu foi quando eu vi que, após ele atualizar o kernel automaticamente, ele mostrou uma janela solicitando que o computador fosse reiniciado! Isso me lembrou tanto o Windows que eu acabei perdendo um pouco do crédito que eu dava ao Ubuntu, hehe.

  • Thiago Bartolomei

    Eh verdade. A primeira vez que eu atualizei o kernel e vi a mensagenzinha pensei a mesma coisa! Soh que ela soh aparece realmente quando você atualiza o kernel, não quando você instala qualquer programinha como acontecia com o Windows.

    Agora, se você tem um sistema que tem que rodar 24/7, daih tem que pensar bem suas atualizações. Quem sabe fazer um Kernel em Erlang ;-)

  • laggarcia

    Roberto,

    Realmente concordo que não podemos utilizar algo que baixe nossa produtividade! Como eu disse no meu comentário anterior, provavelmente se não tivesse a necessidade já teria saído do Fedora. Até porque acho que é possível encontrar outras soluções mais testadas de software livre como o exemplo do Ubuntu que foi dado pelo Thiago.

  • http://log4dev.com Sorô

    Uma coisa que não consigo compreender é por quê o Fedora tem tanta atualização assim. Uma coisa é você lançar patches regularmente pra resolver alguns problemas … outra é criar uma nova versão do SO a cada seis meses. Na minha visão, um SO tem que ser algo um tanto quanto estável … deve ter validade de pelo menos uns dois anos.

  • laggarcia

    Sorô,

    Não sei se eu sou a pessoa mais por dentro do assunto para responder à sua pergunta, mas vou tentar.

    O Fedora lança atualizações a cada seis meses devido à filosofia open source. Projetos open souce geralmente seguem a premissa “release early, release often”. Desta forma, sempre há versões novas de aplicativos open source sendo lançadas. Isso vale para quase todos os aplicativos e até mesmo para o kernel.

    No caso do kernel do Linux e do toolchain (glibc, gcc, etc.), a situação pode ser até mais complicada, pois modificações simples podem fazer com que outros aplicativos tenham que ser recompilados para continuarem funcionando.

    Como a distro no final das contas é só uma coleção de coisas feitas em outros projetos (com os toques, ou melhor, os patches da própria distro), ela sempre tem novas coisas para incluir. Se você utilizar a versão de desenvolvimento das distros (Fedora Raw, se não me engano, ou os equivalentes no Debian, Ubuntu, etc.) você vai ver que os aplicativos são constantemente atualizados. No caso do Fedora foi decidido que a cada seis meses eles fariam um release “oficial” desta atualização de pacotes. No caso de outras distros o tempo pode ser maior, mas, se não me engano, as distros mais usadas tem mais de um release por ano.

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