Minha esposa vira e mexe fica chateada comigo, quando me pede para que eu a ensine a fazer certas ações no computador, e eu digo que eu só sei fazer FAZENDO.Ela acha que eu tenho preguiça de explicar, e prefiro fazer sozinho para terminar rápido e voltar para o meu mundinho. A imagem acima define perfeitamente como nossa cabeça funciona: não sabemos fazer, mas sabemos como fuçar.
E fuçar computador é algo que assusta muita gente.
Me lembrei de um fato interessante. Logo no meu primeiro semestre da universidade, estava naquela empolgação de bixo que quer abraçar o mundo. Uma das coisas que me interessavam na época era participar da empresa júnior, por achar que me daria uma vivência computacional interessante. Em termos de empresa, nunca deu. Mas eu participei de alguns projetos ditos do terceiro setor divertidos. Um deles consistia em dar um curso de computação básica para comunidades carentes de Campinas.
O curso em questão era organizado por uma associação, e a primeira turma era de um bairro looooooooooonge pra burro. O laboratório foi montado (e bastante bem montado, diga se de passagem) em um mezanino de uma igreja do bairro em questão, com 10 máquinas doadas. A turma era bem heterogênea: ia desde crianças e adolescentes até donas de casa. Eu e uma colega íamos duas vezes por semana, por duas horas, ensinar Word e Excel básico.
Neste momento, uma pausa: quem me conhece sabe que eu sou um zero à esquerda de Word e Excel. Vivo dizendo que se meu emprego depender de pacote Office, eu estou ferrado. Mas como o curso era bem básico, achei que daria conta numa boa. E de fato, foi bem tranquilo.
Boa parte do conteúdo eu conhecia. Outra parte, eu decorava da apostila. Mas sempre, SEMPRE, alguém vinha me perguntar qual era a funcionalidade de algum menu bisonho escondido, que eu nunca havia visto, e que não aparecia em nenhum lugar da maldita apostila. Minha reação era sempre a mesma: fazia uma cara de entendido, apertava o botão, e rapidamente deduzia sua funcionalidade: isto funcionava em 99% do casos (nos outros 1%, eu dizia que não fazia idéia) e resolvia o problema do aluno.
Eu não aprendi muita coisa de pacote Office na época, e não sei se eles aprenderam. Mas com certeza foi uma experiência de vida e de contato com a realidade muito boa.
